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fevereiro 03, 2011


Ninguém alcança o poder sozinho.
As crianças evitam os escolhos com uma inocente dança.
E além de o obter por benesse alheia descobre-se também a si próprio fonte de poder.
Depois, no entanto, o corpo perde a jovialidade da dança.
A usura.
O valor de cada um é um bem que apenas pode ser explorado por intermédio do outro.
Mas é a vontade de dominar determinada superfície do mundo que as chama.
Irresistivelmente.

dezembro 18, 2010


Depois de tantos anos...
Afinal o que representa o sexo para a mulher?
O facto de existir prostituição é acima de tudo uma humilhação para o homem.
Estão a ver o que lhes interessa, dizem elas a exibir a perna.
Da mesma forma que os vários poderes, a submissão do mundo pela exuberância, é uma humilhação para a mulher.
Não há maneira de fugir, é isso que somos, de uma forma sintética, redutora e crua, mas é isso que mais objectivamente somos, ponto

novembro 05, 2010

O homem possui dentro de si a ânsia ardente do absluto que sendo a pedra mais inabalável da sua existência acaba por ser também a sua identidade. Ora o absoluto do amor apenas se consegue com a traição, o da paz com a guerra, o da fé com o niilismo, o da esperança com o desespero. E se é este o caminho do homem, não há-de emergir para si qualquer apaziguamento enquanto não perscrutar este todas as respectivas funduras.

novembro 04, 2010


Vivemos numa era de enganos, de sombras, em que se procura ver o invisível pela luneta da criatividade, em que se pretende conquistar a dimensão espiritual do homem por intermédio do símbolo. No entanto, não terá sido sempre assim? O que é a humanidade mais que a desilusão de lidar com a sua ausência?

agosto 03, 2010

Uma verdade é que não somos nada difíceis de consolar por um bocado, outra verdade é que podemos viver muito tempo daquilo que acreditamos que vamos receber.

julho 29, 2010

A cada um o seu teatro. Cada um a representação cénica do que diz a mãe, do que diz o pai, do que dizem as câmaras de vigilância no local de trabalho. Cada um a patinhar o chão que a lenha ardida em solidão encheu de fuligem. Os outros, vistos de longe são a soma dos seus vestidos. Finos como caniços. Insignificantes como o suspiro de um velho. Mas no Verão pavoneiam-se com os seus corpos nus à espera que alguém olhe, como se ninguém estivesse a olhar. Cada qual no seu palcozinho onde um holofotezinho faz as vezes do sol. Cada um ensaia o texto que a mãe, que o pai, que as câmaras de vigilância do local de trabalho. Cada qual fala em circuito fechado a duvidar da sintaxe, dos sintomas. As impenitências da língua obrigam a uma constante revisão dos sentidos.

julho 24, 2010

Then practice losing farther, losing faster. A perda como aventura, como precocidade. Acto programado de crescer – melhor, amadurecer no sentido em que os frutos deixados a sós amadurecem. Não aguentar que as coisas amadas nos façam sofrer – conhecer-lhes antes do tempo o limite, esvaziá-las. A perda como golpe e excitação.

julho 22, 2010

Escrevemos com derradeira esperança, tentando cada um lapidar a sua frase. O que fica na margem dos poemas, da prosa, da escrita do dia ou de um dia sem escrita. Restos, uma costura mal alinhavada. Escrevemos: se partilhamos é por acaso.